
INFLEXÕES SOBRE MIM MESMO
Todo este ar que me circunda exerce sobre mim uma pressão imperceptível. Uma pressão ineficaz e ingênua. Esse mesmo ar que se impele para os meus pulmões, que é sorvido suavemente fazendo-me sentir a vida.
Depois este ar se abraça com meu sangue passando ambos a constituirem um único ser. Esse amor profundo que há entre eles, converte-os em substância homogênea, a vitalidade de um depende da do outro. Se um está doente, o outro também fica, como ocorre em todos os romances recíprocos.
Este meu sangue, mesclado ao produto da atmosfera intensa, converte-se-me em pensamentos. Distrtibui-se pelos meus vasos sangüíneos, me penetra em cada célula, imergindo meu corpo em vida. Passa pelo meu coração, pelo meu cérebro, embaralhando a minha mente, fazendo surgir em mim a percepção de que estou vivo, fazendo deste meu viver um fardo.
Disse Werter, extraindo as palavras do seu mais profundo âmago:
- Incrível como as coisas que mais nos trazem felicidades são também as que mais nos conduzem à desgraça!
Assim me sinto perante tudo. Amo o que me circunda e é justamente o que me circunda que mais me deixa infeliz. Maldito sangue esse, que me faz viver, me faz ter uma má relação com a vida. Essa mesma vida que odeio ser a mesma que me dá alegrias indescritíveis, forçando-me a amá-la.
Agora percebo, não é a vida que faz de uma pessoa feliz ou infeliz, mas sim a percepção que a pessoa faz da vida. De repente, digo para mim mesmo: “Espere um momento, me sinto bem, sou feliz! Sim, sou feliz! Como não pude perceber?” Mas, noutros momentos, quando estou acometido pela melancolia, vejo: “Que há no mundo? Porque nada me é agradável, nem a solidão, nem a companhia, nada, me é capaz de satisfazer-me, ora, como poder-me-ei dizer que vivo, se na vida nada me compraz?
Enfim, deduzo desta minha inflexão o seguinte: o único culpado é o pensamento. Se você acredita que as coisas estão bem, estão elas estão bem. Parafraseando Clarice Lispector: se você acredita em Deus, Ele existe, se você não acredita em Deus, ele não existe. Simples.
Porque penso? Porque pensar, em nossa espécie, é quase o mesmo que viver? Se se pensa mal, vive-se mal, se bem, bem… não sei. Como dizia Sócrates__ “só sei que não sei.” __eis minha única certeza.
Continuando: Porque os que não pensam são excluídos, dados como mortos? Convenço-me cada vez mais de que pensar é viver.
Quisera eu não poder pensar! Estar reduzido a um vegetal, incumbido de tão somente florescer perante o sol vitalizante. Estar sempre abraçado pelo ar, que me agasalharia, me acolheria, me daria todo o afeto de que se precisa. Ser de composição simples, desprovido de pensamentos, sem expectativas, sem medo, sem mágoas. Apenas viveria, e só isso e nada mais!
R.M. DEANGELO 21/12/2004
Todo este ar que me circunda exerce sobre mim uma pressão imperceptível. Uma pressão ineficaz e ingênua. Esse mesmo ar que se impele para os meus pulmões, que é sorvido suavemente fazendo-me sentir a vida.
Depois este ar se abraça com meu sangue passando ambos a constituirem um único ser. Esse amor profundo que há entre eles, converte-os em substância homogênea, a vitalidade de um depende da do outro. Se um está doente, o outro também fica, como ocorre em todos os romances recíprocos.
Este meu sangue, mesclado ao produto da atmosfera intensa, converte-se-me em pensamentos. Distrtibui-se pelos meus vasos sangüíneos, me penetra em cada célula, imergindo meu corpo em vida. Passa pelo meu coração, pelo meu cérebro, embaralhando a minha mente, fazendo surgir em mim a percepção de que estou vivo, fazendo deste meu viver um fardo.
Disse Werter, extraindo as palavras do seu mais profundo âmago:
- Incrível como as coisas que mais nos trazem felicidades são também as que mais nos conduzem à desgraça!
Assim me sinto perante tudo. Amo o que me circunda e é justamente o que me circunda que mais me deixa infeliz. Maldito sangue esse, que me faz viver, me faz ter uma má relação com a vida. Essa mesma vida que odeio ser a mesma que me dá alegrias indescritíveis, forçando-me a amá-la.
Agora percebo, não é a vida que faz de uma pessoa feliz ou infeliz, mas sim a percepção que a pessoa faz da vida. De repente, digo para mim mesmo: “Espere um momento, me sinto bem, sou feliz! Sim, sou feliz! Como não pude perceber?” Mas, noutros momentos, quando estou acometido pela melancolia, vejo: “Que há no mundo? Porque nada me é agradável, nem a solidão, nem a companhia, nada, me é capaz de satisfazer-me, ora, como poder-me-ei dizer que vivo, se na vida nada me compraz?
Enfim, deduzo desta minha inflexão o seguinte: o único culpado é o pensamento. Se você acredita que as coisas estão bem, estão elas estão bem. Parafraseando Clarice Lispector: se você acredita em Deus, Ele existe, se você não acredita em Deus, ele não existe. Simples.
Porque penso? Porque pensar, em nossa espécie, é quase o mesmo que viver? Se se pensa mal, vive-se mal, se bem, bem… não sei. Como dizia Sócrates__ “só sei que não sei.” __eis minha única certeza.
Continuando: Porque os que não pensam são excluídos, dados como mortos? Convenço-me cada vez mais de que pensar é viver.
Quisera eu não poder pensar! Estar reduzido a um vegetal, incumbido de tão somente florescer perante o sol vitalizante. Estar sempre abraçado pelo ar, que me agasalharia, me acolheria, me daria todo o afeto de que se precisa. Ser de composição simples, desprovido de pensamentos, sem expectativas, sem medo, sem mágoas. Apenas viveria, e só isso e nada mais!
R.M. DEANGELO 21/12/2004
Imagem:skybox masters o homem que afrontou os receptores de sinais de satélites de Dave McKean
0 comentários:
Postar um comentário