Os arquivos de música antes aqui presentes foram exportados para o blog Aberrações Sonoras.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Os anos se passaram



Os anos se passaram
mais rápido que os meus pensamentos.
o tempo se esvaiu

quanto mais eu vivo, menos eu vivi
menos de vida me resta
Quanto mais eu aprendo, menos eu sei






Nada disso me surpreende
Para quem já está morto, estar vivo ainda é uma vantagem...




Imagem: David Ho - Unspecified digital image4

HÁ COISAS QUE NUNCA RESOLVEREMOS....




Espaços vazios que nos preenchem

Que se esforçam em se esvaziarem ainda mais
Temores que nos dominam
Nos lançam no profundo lago da melancolia
Ao nos erguermos, percebos que ela nos banha
Nos penetra célula a célula
Não há meios de expulsar toda a melancolia que nos toma como reféns
Cabe a nós apenas assimilá-la
E conviver com essa deficiência
Como o cego que sabe que nunca vai enxergar....

Imagem: Christina Neofotistou, Crucifixion

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

A melancolia


Desperto numa chuvosa manhã de janeiro. Logo de imediato já me vejo acometido pelo cansaço. Sinto-me atordoado, olho para o teto mofado, as paredes que se descascam, e percebo uma presença magnânima. Olho para a poltrona à esquerda e a vejo. É a minha Melancolia, que mais uma vez veio me fazer companhia. Seu rosto lânguido revela um semblante confortável e fúnebre, um olhar que explica o porquê de seu nome. Pergunto:


- Quem és tu?


- Tu já sabes, dentro de ti há a resposta para essa pergunta - ela responde.


- Que queres tu? Por que tanto me persegues?


- És um tolo, não sou eu que te persigo, mas sim tu, que sempre me persegues. Tu que me invocas, no teu silêncio, o tempo todo. Tu que não consegues viver longe de mim. Sinto-me atordoada com isso, tu não te dedicas nem um pouco para à minha irmã, a Alegria, só queres saber de mim, não consegues viver sem a minha presença, pois sabes que sou a única que se importa com ti, sabes também que sou a única que nunca te abandono.


Não consigo antepor-lhe um contra-argumento. Olho mais uma vez para seu rosto, percebo o quanto é lindo e encantador, tento absorver aquela beleza reconfortante, mas meus olhos se contêm. O que mais me assusta, no entanto, é o fato de que tudo que ela diz é um nítido retrato da realidade. Dou um profundo suspiro, que acelera as minhas veias e me faz sentir contrições no peito. A única coisa que consigo enunciar-lhe, com toda a intensidade de um golpe há muito impulsionado:


- Tu és a minha alegria!